Escolas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe são as mais procuradas por professores de carreira pública de Portugal

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Os concursos das escolas portuguesas de São Tomé e Príncipe e de Cabo Verde, em curso, registam os níveis mais elevados de procura pelos professores de carreira de Portugal. O movimento é visível, para já, através da avaliação e distribuição do número de candidatos que concorreram às vagas disponíveis nas cinco escolas públicas do universo das escolas portuguesas no estrangeiro (EPE).

O apuramento baseou-se nas listas provisórias do concurso EPERP (Escolas Portuguesas no Estrangeiro da Rede Pública) para o próximo ano letivo de 2026/2027, publicadas pela Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE). Cada docente foi contado apenas uma vez por escola, independentemente do número de grupos de recrutamento a que se candidatou. Adicionalmente foram considerados os candidatos admitidos e excluídos para se avaliar a vontade objetivamente manifestada pelos professores no ato da candidatura.

A Escola Portuguesa de São Tomé e Príncipe recebeu candidaturas de 81 docentes de carreira para sete vagas, correspondentes a uma taxa de 11,6 professores por vaga. É o rácio mais elevado entre as cinco escolas consideradas nesta análise. Segue-se a Escola Portuguesa de Cabo Verde com 264 professores para as 25 vagas anunciadas, o que define uma taxa de 10,6 por lugar disponibilizado. Em números absolutos, Cabo Verde atraiu muito mais candidatos, mas São Tomé e Príncipe apresenta uma procura relativa ligeiramente superior por dispor de menos vagas.

Moçambique ocupa a posição seguinte, com 150 docentes para 23 vagas, o equivalente à cifra de 6,5 por lugar. Para Díli, em Timor-Leste, concorreram 85 professores a 18 vagas, num rácio de 4,7. Por fim, Luanda, em Angola, registou a menor procura relativa: 64 docentes para 16 lugares, ou quatro por vaga.

Estes valores potencialmente traduzem a pressão global da procura sobre as vagas existentes em cada escola, consideradas no seu todo. Não representam, por isso, a concorrência concreta para cada lugar disponível porque não entram aqui em linha de conta a distribuição das vagas pelos diferentes grupos de recrutamento.

Ao conjunto dos cinco concursos internos apresentaram-se 310 docentes de carreira que, podendo concorrer a mais do que uma escola, geraram 644 candidaturas no universo EPE.

Concurso externo teve procura bastante mais reduzida

O concurso externo apresenta uma dimensão menor: foram identificados 50 candidatos distintos, responsáveis por 71 candidaturas para um total de 19 vagas. Díli registou o rácio mais elevado, com nove candidatos para duas vagas (taxa de 4,5 por lugar). Seguiram-se Cabo Verde, com 4,1 candidatos por vaga, e Luanda e Moçambique, ambas com quatro. São Tomé e Príncipe apresentou o valor mais baixo (2,3).

Mais de metade concorreu a várias escolas

Considerados os dois concursos (interno e externo), as listas provisórias incluem 360 pessoas distintas: 310 no concurso interno e 50 no externo. Mais de metade — 195 pessoas, correspondentes a 54,2% — concorreu a mais de uma escola, 88 a duas escolas, 68 a três, 25 a quatro e 14 às cinco.

O valor do subsídio mensal de residência, a que popularmente ainda muita gente chama o segundo ordenado, não parece explicar os diferentes níveis de procura, pois a Escola Portuguesa de São Tomé e Príncipe, por exemplo, que é a que oferece o apoio financeiro mensal mais baixo (1350 €), é também a que regista mais procura. Pelo contrário, Luanda oferece o subsídio mais alto (1850 €, a par de Moçambique), mas é o destino menos procurado.

A procura pode resultar, assim, da combinação de vários fatores, como, nomeadamente, as condições locais de vida, distância de casa, ligações aéreas, perceção de segurança, custo efetivo da habitação, contexto familiar, conhecimento do país de acolhimento e imagem profissional da escola.

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Redação Escolusas
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