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A anunciada saída de Alexandre Lima da liderança da Escola Portuguesa de Luanda poderá ocorrer a seu próprio pedido e não como resultado da vontade genuína do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal que, em pleno 10 de Junho – Dia de Portugal, colocou no seu lugar o atual diretor da Escola Portuguesa de Macau, Acácio de Brito.
Esta novidade circunstancial foi difundida à imprensa a 15 de junho de 2026 através do envio de um e-mail remetido por uma figura virtual que dá pelo nome de Leonor Pereira, ao qual a remetente anexou um hipotético documento dirigido aos professores da EP Luanda, assinado a 10 de junho de 2026 por Alexandre Lima e encabeçado com o assunto «Pedido de cessação de comissão de serviço e transição institucional». O Escolusas pediu de imediato, e reiteradamente, a Leonor Pereira e a Alexandre Lima, a confirmação deste expediente, mas não obteve resposta de nenhum deles.
O documento evidencia sinais claros de autenticidade e genuinidade, validados pelo silêncio cúmplice dos envolvidos, pelo que, até aviso em contrário, o mesmo desfaz a imagem de incapacidade de Alexandre Lima para o cargo transmitida por uma justificação lacónica do ministro. A parte introdutória do texto do próprio documento sugere essa autenticidade pela justificação que o presidente da CAP de Luanda apresenta: «Na sequência da notícia publicada pela TDM, que aponta o Professor Acácio Brito como futuro responsável pela direção da Escola Portuguesa de Luanda, entendo dever dirigir-vos uma palavra serena, clara e responsável». Foi assim que Alexandre Lima, em primeiro lugar, reagiu, dirigindo-se aos seus parceiros diretos institucionais, para o recato da organização interna, dispensando então uma expressão pública da sua mensagem. Esta foi assumida, posteriormente, por Leonor Pereira, figura que, quase no anonimato mas com conhecimento de Alexandre Lima, demonstra grande proximidade à liderança da Escola Portuguesa de Luanda e até aos meandros da imprensa internacional em língua portuguesa a avaliar pelo teor da sua comunicação. Uma aparente aliança de combate mediático que, até ao momento, Alexandre Lima não confirmou nem desmentiu.
Esta potencial reposição da «verdade por detrás da sua notícia», tal como a misteriosa figura de Leonor Pereira a apresentou à imprensa internacional, parece não ter vigor suficiente para alterar o desfecho oficialmente anunciado pelo ministro, ou seja, as saídas a 31 de agosto de 2026 de Alexandre Lima e de Acácio de Brito das escolas portuguesas de Luanda e de Macau, respetivamente, mas repõe alguma dignidade, transparência e elegância institucionais. Alexandre Lima é professor do quadro do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa (Faro, Portugal) e Acácio de Brito é quadro superior da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, pela qual goza de licença especial até ao próximo dia 31 de agosto, atribuída oportunamente pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, para acomodar legalmente o convite da tutela para o cargo de diretor da Escola Portuguesa de Macau.
A confirmar-se o pedido de cessação antecipada de comissão de serviço feito por Alexandre Lima, este será o segundo consecutivo formulado por dirigentes máximos da Escola Portuguesa de Luanda. Eduardo Fernandes, o primeiro presidente da CAP da EP Luanda, cessou funções a seu pedido a 14 de junho de 2024 e agora Alexandre Lima terá apresentado o seu pedido no final de maio de 2026, a confirmar-se a autenticidade do documento enviado à imprensa. Ambos invocaram motivos pessoais, de saúde ou familiares para não prosseguirem na condução de um regime provisório de gestão da escola pública portuguesa da capital angolana que o Governo português mantém fora do alcance dos concursos nacionais para preenchimento do cargo de diretor, por razões não atualizadas.