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Os espasmos sociais sentidos no atual ambiente da Educação em Portugal nasceram da confusão e incerteza geradas pelo período dos exames nacionais no sistema educativo português, mas a falta de educação tem feito caminho paralelo no diálogo entre o poder central e as comunidades escolares em Portugal e além-fronteiras. Está a faltar educação na Educação em Portugal, e já não é de agora. Esta atitude tende a anular, logo à partida, o mérito dos planos públicos para as reformas anunciadas para o setor ou a inviabilizá-los na dimensão política. Os modos contam, a maneira de tratar o outro também, bem como a consideração e respeito, porque é disso que trata e se trata na Educação.
No universo das escolas portuguesas no estrangeiro, o padrão público da deselegância manifestou-se tão prontamente a atual equipa governativa entrou em funções, em 2024. O ministro da Educação, Ciência e Inovação praticamente deu as boas-vindas à comunidade com o anúncio da realização imediata de uma auditoria que lhe desse garantias do bom e sério funcionamento das redes pública e privada das escolas portuguesas no estrangeiro. A falta de educação, a descortesia e a desconsideração advêm da circunstância de, dois anos depois, ainda não serem conhecidos os resultados da tal sindicância, o que mantém todas as escolas públicas no estrangeiro sob suspeita permanente de descaminhos. Na altura, em 2024, o anúncio da auditoria ecoou pelos quatro cantos do mundo porque foi feito nos intervalos das solenidades do Dia de Portugal que o ministro presidia em Luanda em nome do Governo português, mais concretamente na Escola Portuguesa de Luanda.
A aparente atração do ministro da Educação pela solenidade transoceânica com que envolve anúncios públicos de medidas estruturais na organização e desenvolvimento do universo das escolas portuguesas no estrangeiro levou Fernando Alexandre a chegar a Macau, também para presidir às comemorações do Dia de Portugal de 2026, e ordenar, em declarações marginais aos jornalistas, a transferência do diretor da Escola Portuguesa de Macau para a liderança da Escola Portuguesa de Luanda, deixando vago o lugar no estabelecimento de ensino português naquele território da China. Fê-lo em momento solene, mas sem a seriedade institucional e humanamente esperada pelos parceiros íntimos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação na gestão daquela escola, como são os membros dos conselhos de administração da Fundação Escola Portuguesa de Macau e da própria Escola Portuguesa de Macau. Estes, muito pouco tempo antes, tinham reconduzido no cargo o diretor da Escola Portuguesa de Macau que, por sua vez, já aceitara a renovação do mandato por mais três anos. Porém, a voz do chefe vindo de Lisboa impôs-se e o ainda diretor em Macau também aceitou ir para Luanda: manda quem pode, obedece quem deve.
A descortesia ministerial de Macau no mesmo dia ecoou em Luanda. O presidente da Comissão Administrativa Provisória da Escola Portuguesa de Luanda acabara de ser publicamente substituído pela voz da imprensa. As conversas de corredor, se as houve, não romperam o espaço público e, por isso, o líder da escola de Luanda fez a defesa da sua honra pessoal e da instituição perante os pares através de um comunicado interno aos professores, mantendo a reserva pública que o ministro não preservou. Ao que consta, o presidente da CAP em Luanda solicitara anteriormente a cessação antecipada da sua comissão de serviço, facto ignorado na comunicação pública do ministro. Este é o segundo pedido pessoal consecutivo de cessação antecipada de funções na liderança da Escola Portuguesa de Luanda no atual mandato do ministro Fernando Alexandre.
Ensinam-nos a pedagogia e a didática que a comunicação clara, transparente e empática, algo sedutora até, coloca lado a lado professor e aluno no caminho do sucesso da aprendizagem. Matérias novas para aprender e desenvolver na Educação em Portugal há muitas, quiçá de qualidade e boas para o futuro, mas está a faltar educação na autoridade educativa, que a arrogância e presunção não escondem. Esta prática autoritária de imposição cega de soluções, do absolutismo despropositado como método exclusivo e estilo único de liderança desgasta o espírito e disponibilidade reformistas, e ainda estimula a contestação inoperante ou gratuita. Será uma prática esvaziada de conteúdo político, mas prenhe de autoritarismo bacoco e saloio. Perdem os alunos em primeiro lugar, perde a comunidade das escolas portuguesas espalhadas pelo mundo. Perde a Educação.