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Pedro Almeida
Professor na Escola Básica D. Pedro I (Portugal)
Grupo disciplinar: Biologia e Geologia
Formação: Universidade de Évora (Portugal)
Lecionação internacional: Angola, Guiné-Bissau e Escola Portuguesa de Moçambique
Naturalidade: 18 de agosto de 1974, Beira (Moçambique)

Foi-me lançado um desafio em nome de uma vivência maior: ter pertencido a uma espécie de irmandade que é essa instituição Escola Portuguesa. Sinto-me pequenino para falar e menor para escrever, mas é na escrita que vou tentar transmitir o que é sentir que um dia fui, e ainda sou, Escola Portuguesa de Moçambique. Podia ser outra qualquer escola, mas foi a de Moçambique que me acolheu e onde também procurei ser acolhido, e, um dia, aconteceu.
Talvez possa contextualizar um pouco melhor a minha partilha. Nasci em Moçambique, na Beira, mas cedo demais fui levado para Portugal. África habitou em mim desde criança e, por isso, era imperativo em mim regressar. Primeiro Angola, depois Guiné-Bissau e a seguir Moçambique. E quando cheguei a Moçambique percebi porque é que lá tinha nascido. Só podia ter nascido ali, naquele sítio incrível, fantástico e cheio de boa energia.
Surgiu no caminho, entretanto, a Escola Portuguesa de Moçambique, cheia de gente espantosa que me recebeu de braços abertos. A partir deste ponto vou ter dificuldade em relatar a minha experiência naquela escola, porque foram tantos os momentos bons que, mesmo que quisesse fazer jus a todos eles, seria impossível. Os colegas que me acompanharam estão tão enraizados no meu coração que tenho receio de esquecer de nomear alguns, por isso, os nomes ficam para assunto entre corações. Tirando os nomes, quero falar nas memórias, mas também tenho alguma dificuldade em saber por onde começar. Talvez pela Escola, esse complexo amarelo, na Avenida para o Palmar…
O impacto inicial foi grande e não dececionou: escola bonita com pavões e galinhas do mato a passear tranquilamente no meio dos edifícios e dos alunos. Surgiu a possibilidade de trabalhar naquele lugar e foi assim que aconteceu. Dei por mim a pertencer a essa ilustre família que me proporcionou experiências fantásticas ao longo de três anos, de trabalho rigoroso e de qualidade, mas também cheios de momentos de boa disposição. Relembro o cuidado que tiveram comigo na apresentação da escola, das salas, do laboratório onde ia trabalhar, dos procedimentos a seguir e a adotar, na apresentação dos colegas e dos equipamentos eletrónicos ao dispor, e por aí fora… Mas também havia os momentos de merecido lazer, a começarem na sala dos professores onde cada intervalo era revestido de amena cavaqueira e promessas deliciosas para prolongar o convívio fora da escola. E, de repente, a Escola Portuguesa de Moçambique deslocava-se para fora do recinto escolar e juntava-se aos fins de semanas e às pausas letivas dos professores, num convívio agradável e cheio de boa disposição. Fins de tarde no Marítimo, descendo a avenida da escola, ou no jardim da D. Berta, um cozido à portuguesa ao almoço de sábado no Mamanô, um passeio à Catembe ou Macaneta, um fim de semana na Ponta do Ouro, outro no Bilene, entre tantos outros destinos que não menciono sob pena de monopolizar o espaço de escrita.
Hoje, professor noutras latitudes, mais sombrias, menos solarengas e com contextos mais desafiadores dos que encontrei na Escola Portuguesa de Moçambique, dou por mim a ser uma pessoa mais amarga, mais cansada e com muito menos energia. Onze anos distam estas duas realidades. Podemos divagar sobre as razões para estas diferenças e todas elas serão, eventualmente, válidas. Neste momento já não sou o professor da Escola Portuguesa da Moçambique que viveu uma experiência muito feliz, enriquecedora e única.
Sou apenas mais um professor, entre tantos, mas com uma experiência que preserva uma aura que ainda hoje ajuda a combater e ultrapassar as dificuldades e desafios que encontro regularmente.
Que orgulho tenho em pertencer à família EPM-CELP.
Uma escola que fez e continua a fazer história no panorama do ensino e educação portuguesa O sucesso de tal ficou a dever-se à sua autonomia e aos anos em que a instituição tinha a categoria de Instituto Público. Amarfanha-se a autonomia pela incapacidade de avaliação e inspeções institucionais. O mesmo que dizer pela falta de Projeto e de Relatórios de avaliação interna devidamente realizados e escrutinados Autonomia não significa o “ salve- se quem puder “ Obrigada a todos os que souberam dar continuidade ao Projeto E P M- C E L P. Além de continuar a s