Gratuito

Diretor da Escola Portuguesa de Macau defende português como língua de interação, não de domínio

Acácio de Brito concedeu uma entrevista à revista Diáspora Lusa, contextualizando o ensino da língua e cultura portuguesas em ambiente não exclusivo.

Faça circular este artigo

0
(0)
Acácio de Brito
  • Diretor da Escola Portuguesa de Macau desde 2023

O diretor da Escola Portuguesa de Macau, Acácio de Brito, defende que a cultura portuguesa deve afirmar-se naquele território numa lógica de «interação» e «complementaridade», e não de «dominância», numa entrevista publicada pela revista Diáspora Lusa, na sua edição 11 correspondente ao primeiro trimestre de 2026.

Na entrevista, Acácio de Brito apresenta a Escola Portuguesa de Macau como uma instituição criada em 1998 no contexto da transição da soberania de Macau para a China e entregue aos cuidados da Fundação Escola Portuguesa de Macau para a promoção da língua e da cultura portuguesas naquele país asiático.

O dirigente sublinha que a EPMacau é hoje alvo de uma procura crescente, refletida no aumento de 773 alunos em 2024/2025 para 842 no início do ano letivo seguinte, ou seja, um acréscimo de cerca de nove por cento. O diretor da EPMacau associa o crescimento ao interesse pela aprendizagem do português, mas destaca também o valor estratégico do ensino do mandarim.

«Ora, 60% dos nossos alunos são de língua não materna», afirma o diretor, referindo-se ao português. Para Acácio de Brito, a grande mais-valia da escola é permitir que muitos alunos terminem o 12.º ano com competências em português e em mandarim, o que considera uma vantagem académica e profissional no relacionamento entre a China e o mundo lusófono.

Na entrevista, o diretor da EPMacau rejeita a ideia de uma presença cultural portuguesa assente no domínio. «A cultura portuguesa não tem uma perspetiva de dominância, mas de interação, de complementaridade», afirma, ao defender que a língua portuguesa deve ser promovida em diálogo com a realidade local. Considera, ainda, que a língua portuguesa continua viva em Macau, apontando o papel dos serviços diplomáticos, da Universidade de Macau, da Universidade Politécnica de Macau e da própria escola na sua divulgação e valorização.

Questionado sobre a mobilização de professores para a diáspora educativa portuguesa, o diretor reconhece dificuldades, mas enquadra-as nas limitações do próprio sistema educativo em Portugal. Ainda assim, afirma perceber «grande boa vontade» por parte do Estado português na disponibilização de recursos humanos para escolas como a de Macau.

A entrevista apresenta também o percurso do diretor, licenciado em Filosofia e Ensino de Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa, antigo professor, inspetor no setor da educação, autor de livros e dirigente com experiência em Portugal, Timor-Leste e Macau. Acácio de Brito lidera a Escola Portuguesa de Macau desde 2023.

O que achou desta publicação?

Clique numa estrela para avaliar!

Média das Avaliações 0 / 5. Número de avaliações: 0

Sem votos ainda, seja o primeiro a votar!

We are sorry that this post was not useful for you!

Let us improve this post!

Tell us how we can improve this post?

Faça circular este artigo
Curador Escolusas
Curador Escolusas

Assinatura editorial do Escolusas. Imagem de perfil obtida por IA.

Artigos: 170

Deixe um comentário