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Acácio de Brito concedeu uma entrevista à revista Diáspora Lusa, contextualizando o ensino da língua e cultura portuguesas em ambiente não exclusivo.

O diretor da Escola Portuguesa de Macau, Acácio de Brito, defende que a cultura portuguesa deve afirmar-se naquele território numa lógica de «interação» e «complementaridade», e não de «dominância», numa entrevista publicada pela revista Diáspora Lusa, na sua edição 11 correspondente ao primeiro trimestre de 2026.
Na entrevista, Acácio de Brito apresenta a Escola Portuguesa de Macau como uma instituição criada em 1998 no contexto da transição da soberania de Macau para a China e entregue aos cuidados da Fundação Escola Portuguesa de Macau para a promoção da língua e da cultura portuguesas naquele país asiático.
O dirigente sublinha que a EPMacau é hoje alvo de uma procura crescente, refletida no aumento de 773 alunos em 2024/2025 para 842 no início do ano letivo seguinte, ou seja, um acréscimo de cerca de nove por cento. O diretor da EPMacau associa o crescimento ao interesse pela aprendizagem do português, mas destaca também o valor estratégico do ensino do mandarim.
«Ora, 60% dos nossos alunos são de língua não materna», afirma o diretor, referindo-se ao português. Para Acácio de Brito, a grande mais-valia da escola é permitir que muitos alunos terminem o 12.º ano com competências em português e em mandarim, o que considera uma vantagem académica e profissional no relacionamento entre a China e o mundo lusófono.
Na entrevista, o diretor da EPMacau rejeita a ideia de uma presença cultural portuguesa assente no domínio. «A cultura portuguesa não tem uma perspetiva de dominância, mas de interação, de complementaridade», afirma, ao defender que a língua portuguesa deve ser promovida em diálogo com a realidade local. Considera, ainda, que a língua portuguesa continua viva em Macau, apontando o papel dos serviços diplomáticos, da Universidade de Macau, da Universidade Politécnica de Macau e da própria escola na sua divulgação e valorização.
Questionado sobre a mobilização de professores para a diáspora educativa portuguesa, o diretor reconhece dificuldades, mas enquadra-as nas limitações do próprio sistema educativo em Portugal. Ainda assim, afirma perceber «grande boa vontade» por parte do Estado português na disponibilização de recursos humanos para escolas como a de Macau.
A entrevista apresenta também o percurso do diretor, licenciado em Filosofia e Ensino de Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa, antigo professor, inspetor no setor da educação, autor de livros e dirigente com experiência em Portugal, Timor-Leste e Macau. Acácio de Brito lidera a Escola Portuguesa de Macau desde 2023.