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Relatos despertadores sem algoritmo

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António Faria Lopes
Editor | Escolusas

Laborar notícias e informações sobre o quotidiano das escolas portuguesas ou de currículo português fora de Portugal é uma viagem estimulante, algo criativa, sobretudo esperançosa, nestes dias que anseiam por um ambiente global mais apaziguador, pacífico e tranquilo em todas as latitudes planetárias. A pressa de atingir o abismo da mudança desconhecida inquieta qualquer um, mesmo os que fazem da transformação social a sua profissão, como é o caso dos professores.

Os relatos publicamente partilhados e alcançáveis, mesmo os mais tímidos, breves ou até modismos, indiciam tentativas de despertares de uma humanidade genuína que parece estar a escapar ao esforço diário dos professores de sala de aula perante aparelhos crescentemente humanoides inocentemente tripulados, a quase todo o tempo, pelas mãos das crianças. A sobrevivência a este assomo tecnológico asfixiante só é possível com o confronto com a imperfeição, o traço que mais define o ser humano, com a didática e pedagogia humanas, com a intermediação do professor nas escolas conhecidas por todos.

Os relatos das atividades pedagógicas no Escolusas expandidos não disfarçam a vontade dos seus organizadores de, pela exposição ao outro e ao grupo, oferecerem aos alunos a oportunidade de os envolverem no mundo dos afetos e da descoberta de seguir em frente na companhia de semelhantes. Aprender com o outro. Falar, conversar, brincar e lutar com o outro, com o colega de carteira ou de turma é, ainda, o essencial da educação e o que mais perdura na memória. Desertificar este caminho com recurso evangelizador à tecnologia, elevada à perfeição pela digitalização, é tornar mais pedregoso o caminho de todos nós, é retirar diversão à imperfeição, o bem mais democrático de todos os sistemas educativos, de todas as escolas, a virtude que desperta o caráter e instinto inventivos do ser humano. Até daquele que inventa a tecnologia.

A descaraterização tecnológica das atividades relatadas pelas escolas do universo escolar português gravitado à volta do mundo transmite também a ideia de que é possível ensinar o essencial da aprendizagem humana e social sem os artefactos tecnológicos que a sociedade contemporânea mundial distribui de modo desigual pelas crianças das escolas.

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António Faria Lopes
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