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O Escolusas ganhou leitores, mas escapam-lhe os atores. Por isso, reformula agora o seu projeto editorial, deixando para trás as rubricas Entrevista, Figuras&Factos, Opinião e Profezine, infelizmente as que mais despertam o interesse humano pela subida ao palco dos atores da comunicação. Um cenário que o Escolusas não foi capaz de prever em devido tempo por culpa própria.

O projeto editorial do Escolusas foi surpreendido pelo som do silêncio que ouviu ao atravessar o longo pátio das escolas portuguesas no estrangeiro, as públicas e as privadas. Quase todos os convites para entrevista, relatos ou opinião receberam como resposta o silêncio ou a inação perante o compromisso assumido, parecendo traduzir um ambiente de forte contenção, inibição ou condicionamento institucionais e administrativos – a fazer lembrar quase um pacto silencioso e corporativo. Uma toada coincidentemente sintonizada com a atuação do Ministério da Educação de Portugal, que gere a rede de escolas portuguesas no estrangeiro e parece inspirar aquela «aliança» silente. Através do seu Gabinete de Imprensa surdo e mudo, traiu sempre a sua obrigação de informar e esclarecer quando o Escolusas solicitou os seus serviços públicos, sempre negado.
Para outros convidados, o silêncio poderá traduzir mero desinteresse, apatia, falta de tempo e paciência, ou simples falta de vontade de responder, o que é normal.
A expetativa editorial do Escolusas, na sua origem, pode demonstrar ingenuidade, um romantismo ficcionado, porque subir a um palco para um exercício de liberdade de expressão é algo que nem todos poderão estar dispostos a fazer. A cada um assiste o livre-arbítrio. Não há espetáculo com o palco vazio. Ainda assim, o Escolusas teve a sorte de inaugurar as suas quatro rubricas «humanas» com prestações livres e brilhantes dos seus convidados, que continuam disponíveis para leitura.
Calibrado o som – tal como faz Peter Lucian, a personagem que afina o som das casas no filme O Som do Silêncio (2019) -, o Escolusas continuará a olhar para a «Alquimia dos Ecos» das escolas, rubrica que dá protagonismo aos alunos no ambiente mediático, e a sondar memórias do passado de cada escola no «Retrovisor», restringindo o seu campo de intervenção editorial. Para além desta curadoria, manterá, enquanto encontrar interesse editorial, a prática de um jornalismo compassado e sem pressa, que procura narrar com autenticidade a vida das escolas portuguesas espalhadas pelo mundo, um universo que cativa pela sugestão de diversidade, liberdade e autonomia criativa. Tal como devia ser a Educação.