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«capa» de música "Povo no Poder" do rap moçambicano Azagaia

A palavra irreverente de “Mano Azagaia“ fez-se ouvir na EPMoçambique

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Imagem: fotograma de vídeo da VOA Português / Wikimedia Commons

Assinala-se hoje, 9 de março de 2026, os três anos decorridos desde a morte de Edson da Luz, o rapper moçambicano Azagaia, uma das vozes mais marcantes da intervenção social e política de Moçambique. A força simbólica do músico mediu-se também no momento da despedida: no cortejo fúnebre, em 14 de março de 2023, em Maputo, a polícia do regime recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão que seguia a urna. No universo das escolas portuguesas no mundo, em 2018 e 2023 Azagaia interagiu com a comunidade escolar da EPMoçambique, tal como está noticiado nos registos públicos do estabelecimento de ensino.

Ao longo da carreira, Azagaia fez do rap um espaço de confronto com a corrupção, a desigualdade, o abuso de poder e o desencanto social. A canção Povo no Poder, por exemplo, ajudou a fixá-lo como um artista que ultrapassou o plano musical e se tornou referência cultural e cívica para várias gerações de moçambicanos. Uma canção que irritou o regime da Frelimo de Armando Guebuza, levando a Procuradoria Geral da República, em 2008, a convocar Azagaia para depor sobre a alegada natureza subversiva da cantiga numa clara demonstração de tentativa de restringir e condicionar a liberdade de expressão do artista.

Três anos após a sua morte, o nome de Azagaia permanece ligado não apenas à memória de um músico de intervenção, mas à persistência de uma voz que, mesmo calada, continua associada à crítica social, ao incómodo político e à tensão entre poder e cidadania em Moçambique.

A palavra irreverente de “Mano Azagaia“ fez-se ouvir na EPMoçambique

«capa» de música "Povo no Poder" do rap moçambicano Azagaia
Clique na foto para ouvir o áudio oficial da música Povo no Poder | Foto: Khumbula-Official

O rapper moçambicano entrou no espaço escolar da EPMoçambique como voz de intervenção, mas também como presença que dialogou diretamente com alunos e professores sobre cidadania, direitos e responsabilidade social. O registo mais expressivo dessa passagem está assinalado no arquivo da escola na peça Azagaia desafiou alunos da EPM-CELP a lutarem pelos Direitos Humanos, que documenta um encontro, em 2018, quando o artista partilhou experiências e visões com várias gerações da comunidade escolar.

A presença de Azagaia não desapareceu com a sua morte. Já em 2023, a escola voltou a evocá-lo na Apresentação da 20.ª edição do programa Xirico, fazendo rodar o tema Ai de Nós em homenagem ao ativista e músico que prematuramente acabara de falecer. O gesto é revelador: Azagaia não ficou apenas como referência musical exterior à escola, mas como figura que continuou a ser convocada para o seu espaço cultural.

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António Faria Lopes
António Faria Lopes
Artigos: 4

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