“Voz“ de AMALIA relata o universo das escolas portuguesas no estrangeiro

0
(0)

Amalia é o acrónimo de Agente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial, de código aberto e público desenvolvido em português de Portugal no universo da cultura portuguesa. Está equipado com cerca de nove mil milhões de parâmetros.

O Escolusas desafiou o AMALIA – a Amália é uma interface do AMALIA destinado a manter conversas com o utilizador –, a discorrer sobre a rede de escolas portuguesas no estrangeiro a partir da carga informativa de que se alimenta e dos seus poderes reflexivos e argumentativos. O pedido apresentado ao AMALIA foi o seguinte: formula um juízo genérico sobre a rede de escolas portuguesas no estrangeiro (públicas e privadas), seu papel, vocação, méritos e deméritos e o que mais for pertinente mencionar para informar e elucidar os interessados neste universo.

O texto seguinte é, por conseguinte, produto de inteligência artificial e é nesta medida que deve ser considerado, ou seja, a exigir a moderação crítica humana. É este o desafio que também é lançado ao leitor, já que a IA instalou-se sem pedir autorização. E o texto seguinte é apresentado na sua forma mais crua e, como qualquer outro produzido por IA, carece de um olhar muito crítico, sobretudo em relação à sobreposição conceitual da sigla EPE – Escolas Portuguesas no Estrangeiro (Ministério da Educação) versus Ensino de Português no Estrangeiro (Camões Instituto), duas realidades distintas.

“Estado da arte” do espólio informativo, argumentativo e reflexivo do AMALIA (IA) sobre a rede EPE

Vou procurar informação atualizada sobre a Rede de Escolas Portuguesas no Estrangeiro para que o juízo seja o mais pertinente e fundamentado possível. A figura que se impõe, até ao início de 2025, é a de uma rede relativamente modesta em dimensão — “27 estabelecimentos de ensino” distribuídos por “seis países”, com “949 docentes” a ministrarem currículo português a cerca de “11.600 alunos” —, mas de considerável densidade simbólica e diplomática. Integra escolas públicas da rede do Estado e escolas privadas (em parte reconhecidas nos termos do DL n.º 30/2009, de 3 de fevereiro), funcionando em articulação entre a Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE/DSEEPE) e o Camões — Instituto da Cooperação e da Língua.

#1. Papel e vocação

A vocação original desta rede é dupla e indissociável: por um lado, “garantir o direito à escolarização em língua e currículo portugueses” aos filhos das comunidades emigrantes e dos antigos territórios de administração portuguesa; por outro, “servir de veículo da língua e cultura portuguesas” no mundo, numa lógica que mistura cooperação para o desenvolvimento com projeção de soft power. A arquitetura normativa — sobretudo o DL n.º 213/2015 e posteriores adaptações por país — exprime a intenção de conferir às escolas públicas a mesma natureza jurídica dos estabelecimentos nacionais, mantendo o respetivo sistema de avaliação e certificação das aprendizagens, agora renomeado “Certificação EPE”. Mais recentemente, a criação da Escola Portuguesa de São Paulo (2019) e a aposta em modelos de “Centros de Ensino de Língua Portuguesa (CELP)” com maior autonomia pedagógica e gestora revelam uma vontade de modernizar a oferta, aproximando-a dos contextos locais sem abdicar da referência portuguesa.

# 2. Méritos inegáveis

Primeiro – a rede assegura a continuidade de uma identidade linguística e cultural que, sem ela, tenderia a diluir-se nas segunda e terceira gerações de emigrantes, sobretudo nos PALOP e em Timor-Leste. A possibilidade de certificação reconhecida pelo Estado português — com exames nivelados pelo Quadro de Referência para o EPE (QuaREPE), inspirado no QECR — dá tangibilidade e valor acrescentado a essas aprendizagens, facilitando a mobilidade académica e o eventual regresso ao sistema educativo nacional.

Segundo – as escolas públicas, particularmente as enquadradas como CELP, funcionam como “instrumentos de cooperação bilateral” e de qualificação das populações locais, não se circunscrevendo às comunidades portuguesas. Em Timor-Leste, por exemplo, a presença docente é também uma forma de assistência técnica ao desenvolvimento do sistema educativo local.

Terceiro – a criação de estruturas como o Projeto CAFE em Timor-Leste e a aposta em plataformas de ensino à distância ampliam a resiliência e o alcance da rede para além dos muros físicos das escolas.

# 3. Deméritos e fragilidades estruturais

A avaliação mais severa aponta para uma “desconexão crónica entre a retórica de valorização e as condições materiais e profissionais do serviço”. Uma consulta nacional da Federação Nacional dos Professores (FNE), citada publicamente, revelou um conjunto de problemas estruturais de difícil disfarce:

– “Remuneração desajustada ao custo de vida” nos países de acolhimento, o que compromete a estabilidade docente e a atratividade da carreira no estrangeiro;

– “Itinerância e deslocações forçadas”, agravadas pela dispersão geográfica e pela necessidade de cobertura de múltiplos níveis de ensino pelo mesmo docente;

– “Modelo de avaliação de desempenho injusto”, com quotas apertadas, considerado desajustado às especificidades do EPE e gerador de desgaste profissional;

– “Carga burocrática excessiva” e insuficientes perspetivas de desenvolvimento na carreira, facto que muitos docentes traduzem numa recomendação implícita: nas condições atuais, não aconselhariam o exercício no estrangeiro a colegas.

A recente aprovação do Decreto-Lei n.º 78/2025, de 12 de maio — que alarga garantias remuneratórias e cria um prémio de permanência para os docentes das escolas públicas no estrangeiro — constitui um reconhecimento tardio, mas necessário, destas fragilidades. Ainda assim, a medida é recente demais para se poder medir o seu efeito estrutural.

Quanto às escolas privadas, o seu enquadramento no Decreto-Lei n.º 30/2009 impõe um exigente — e salutar — processo de reconhecimento do ensino ministrado, mas também tem gerado demoras e incertezas, com prazos de transição prorrogados e uma proporção significativa de estabelecimentos ainda não formalmente integrados. Isso cria uma dualidade no interior da rede: por um lado, escolas públicas com forte investimento institucional; por outro, um universo privado com autonomia maior, mas também com desigualdades de recursos e de supervisão.

# 4. O que importa dizer aos cidadãos dos países envolvidos

Para os cidadãos dos países acolhedores — seja em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Macau ou Brasil —, a mensagem relevante é de “distinção entre duas realidades”: 1 – a “escola pública portuguesa no estrangeiro” é uma extensão do Estado português, com currículo, certificação e regras equivalentes (em princípio) às nacionais. Frequentá-la é, para os alunos portugueses ou lusodescendentes, garantir a continuidade de uma cidadania educativa; para os alunos locais, é aceder a um capital linguístico e cultural de projeção internacional, validado por um país da União Europeia; 2 – as escolas privadas com currículo e programas portugueses podem oferecer caminhos flexíveis e inovadores, mas a sua qualidade e reconhecimento dependem do cumprimento do referencial do DL n.º 30/2009. Um pais, um educando ou um decisor político local deve, por isso, informar-se junto da DGE ou do Camões sobre o estatuto concreto de cada estabelecimento.

Importa ainda notar que a rede não é apenas um serviço consular educativo: é um “indicador da prioridade que Portugal atribui às comunidades e à lusofonia”. Quando o financiamento é escasso, quando os professores se queixam de precariedade e quando a rede não consegue atrair recursos humanos de excelência, o sinal enviado é o de uma masculina afirmação verbal sem correspondência efetiva. O inverso — investir nas infraestruturas, na formação contínua e nas condições de vida dos docentes — é a forma mais credível de Portugal valorizar quem vive fora das suas fronteiras.

# Juízo genérico

A rede de escolas portuguesas no estrangeiro é um “ativo nacional de primeira ordem que ainda não goza do estatuto nem dos meios de primeira ordem”. Serve uma missão civilizacional — preservar a língua, articular cooperação, garantir direitos — com recursos e condições de trabalho que frequentemente a desmentem. Os seus méritos residem na persistência de uma presença educativa estruturada em contextos onde outras potências teriam optado pelo voluntariado ou pelo abandono; os deméritos, na dificuldade de compatibilizar promessas políticas com realidades orçamentais e na acumulação de descontentamento no pessoal docente, que é, afinal, o maior património vivo da rede.

A entrada em vigor de novos diplomas em 2025 representa uma correção de trajetória. Se, no entanto, a tendência de subfinanciamento e de burocratização se mantiver, Portugal arrisca-se a ver a rede transformar-se numa fachada institucional — clinicamente viva, mas educativamente letárgica —, o que seria uma ofensa às comunidades que dela dependem e uma contradição flagrante com o discurso oficioso sobre a “grandeza da língua portuguesa”.

O que achou desta publicação?

Clique numa estrela para avaliar!

Média das Avaliações 0 / 5. Número de avaliações: 0

Sem votos ainda, seja o primeiro a votar!

We are sorry that this post was not useful for you!

Let us improve this post!

Tell us how we can improve this post?

Faça circular este artigo
Redação Escolusas
Redação Escolusas

Assinatura editorial do Escolusas

Artigos: 72

Deixe um comentário