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O Jornal Tribuna de Macau (JTM) publicou, a 26 de agosto último, uma notícia sobre a entrevista feita pela agência Lusa (Portugal) a Luís Rodrigues, docente e investigador da Universidade de Santiago (Cabo Verde). O autor do livro Pobre não fala português defende o ensino oficial da língua cabo-verdiana nas escolas, a par do português, e a uniformização da sua escrita.

O livro, lançado no passado mês de junho, atualiza uma pesquisa de 2014 realizada para a dissertação de mestrado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, para a qual Luís Rodrigues entrevistou cerca de 200 alunos e 16 professores de escolas urbanas e rurais das ilhas de Santiago e de São Vicente. O título do livro advém da resposta de um aluno do nono ano, que daquele modo resumiu os estatutos de cada uma das línguas.
O investigador, que fez toda a sua formação académica em Portugal, lembra que o português é a língua oficial ensinada nas escolas de Cabo Verde e percecionada como porta de acesso aos melhores empregos, mas é a língua cabo-verdiana que a quase totalidade da população usa no dia a dia, incluindo os alunos. Até agora, a língua materna entrou no ensino apenas como disciplina opcional no 10.º ano, mas Luís Rodrigues propõe incluí-la no currículo desde os primeiros anos e classifica como mito a ideia de que isso retiraria espaço à língua portuguesa. O tema dialoga diretamente com a realidade da Escola Portuguesa de Cabo Verde, que ensina em português o currículo oficial de Portugal num contexto social e familiar de coabitação de duas línguas.
Na entrevista, também publicada anteriormente pelo Executive Digest (Portugal), Luís Rodrigues explica, ainda, por que razão considera mais cara a aposta exclusiva no português, o peso que atribui à vontade política e ao novo Governo, e o caminho que propõe para chegar a uma escrita comum sem impor o Alupec, o alfabeto reconhecido pelo Estado.
Para conhecer todos os argumentos, a leitura da entrevista completa no JTM é indispensável: Autor de “Pobre Não Fala Português” defende ensino e uniformização da língua local.